Fazia tempo que não mexia nisso aqui, sabe aquela cena de filme onde a poeira sobe quando os atores principais entram na casa que há muito tempo encontrava-se fechada? Então.. é assim que eu me sinto agora voltando a postar neste blog.
O motivo para isto não foi o dos mais interessantes, mas que me fez refletir o quanto nós somos levados a ignorar situações para melhor "convivência", até então eu não tinha percebido que eu fazia parte do grupo de mulheres que de alguma forma sofreram algum tipo de abuso sexual e que teve como "orientação familiar" deixar pra lá. Depois de mais de 20 anos do ocorrido, vi uma postagem de uma amiga minha no face que desencadeou todo o sentimento sentido no momento.
Mesmo não tendo ocorrido estupro, toda a circunstância que estava acontecendo na minha vida me fizeram me sentir totalmente desprotegida quando eu ouvi o Fernando me chamar de gostosa no meu ouvido e puxar minha prima pra sentar no colo dele e minha reação foi de puxá-la, foi tudo tão rápido... reação de impulso mesmo. Várias pessoas da família estavam no mesmo local quando ocorreu, mas não viram. Não fazia muito tempo que meu pai tinha falecido e aos 13 anos de idade na minha época, eram 13 anos mesmo! hehehehe. Minha figura de proteção era minha mãe, mas o que eu ouvi dela, foi que eu não contasse para a "Titia", ou seja, mãe do Fernando, irmã da minha avó, além disso, falou que ele sempre foi assim, na juventude ele mexia com a minha mãe, soltava piada... e que além do mais, ele estava embriagado quando resolveu me chamar de gostosa e puxar minha prima para sentar no colo dele.
Estranhei na hora a reação da minha mãe, mas não fazia mesmo muito tempo que meu pai tinha falecido, então minha cabeça ainda estava tentando entender o que se passava ao meu redor.
Os anos foram se passando e acho que das poucas vezes que vi essa pessoa, só consegui falar 1 vez com ele. Houve um churrasco na casa da outra filha da minha mãe e ele estava lá, acho que minha mãe não tinha falado que ele estava lá ou que ele iria também.. não lembro. Só sei que eu não me sentia nada, mas naaaada confortável mesmo em saber que aquele homem estava ali e minha sobrinha próxima a ele. Ele percebia que eu não dirigia nem o olhar para ele e foi quando a irmã dele perguntou se eu tinha alguma coisa, aí eu disse.. "Não é nada contigo, fica tranquila, eu só não gosto de fingir". No fundo, no fundo.. sabiam o motivo pelo qual eu estava me comportando daquela forma, mas infelizmente a família na qual eu pertenço, gosta muito de colocar a poeira debaixo do tapete e fingir que nada está acontecendo.
Não me encaixo
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
quarta-feira, 7 de março de 2012
Pelo direito de ser doida

O título desse blog é justamente o título de uma matéria da revista LOLA do mês de março, que tem a Lília Cabral na capa. Esta matéria me fiz rir, pois é bom quando você sabe da existência de pessoas que assim como eu, não conseguem se sentir inseridos por muito tempo em uma forma única de ser, melhor dizendo que a sociedade atual dita como correta.
Sou nordestina e portanto só tenho como dizer com propriedade a cultura do cearense, que vai além do dialeto, da comida e do forró, é algo que no meu íntimo incomoda.
Não sei se é por que em casa convivo com uma pessoa que posterga tuuuuuuudo na vida e talvez por isso eu ache que todo mundo é igual a ela, é como se fosse algo sem cor, apático.
O mais preocupante é que eu não consigo me libertar disso e viver minha vida, simplesmente chegar ao problema dela e dizer "Vai pra Puta que o pariu" e dar as costas.
É complexo e que com certeza influenciou diretamente pra que hoje eu não consiga me sentir encaixada em qualquer esteriótipo durante muito tempo.
Mas enfim, o texto da revista conforta a mente de quem se mantém firme em ser o que é, transparente e sincero, mesmo que haja o preço a se pagar tão alto.
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